O caminhoneiro Harrison Pierre da Silva Reis, morador de Medianeira, no Oeste do Paraná, está entre os motoristas que enfrentam dificuldades após ficarem retidos pela forte nevasca na Argentina, enquanto aguardam a reabertura da fronteira com o Chile.
Há quatro dias parado na mesma rodovia, Harrison conta que a situação tem se tornado cada vez mais complicada para os caminhoneiros. O acúmulo de gelo impede a passagem de veículos pesados e deixa centenas de motoristas sem previsão de quando poderão retomar a viagem.
“A alimentação está acabando e sem previsão de liberação para seguir viagem. A gente não sabe o que vai fazer”, relatou o caminhoneiro.
Além da falta de alimentos e da incerteza sobre a liberação da estrada, Harrison relata as dificuldades enfrentadas dentro da carreta, onde permanece praticamente durante todo o dia.
“É difícil porque a gente fica dentro da carreta dia e noite. A gente só sai para fazer alimentação quando dá. Quando não dá, come comida gelada mesmo”, contou.
Outro problema enfrentado pelos motoristas é o acesso aos banheiros. Segundo Harrison, as filas para utilizar os banheiros químicos chegam a durar aproximadamente três horas.
“Tem banheiro químico, mas também fica cheio. Tem fila de três horas para usar o banheiro”, relatou.
VIAGEM PODE DURAR ATÉ DOIS MESES
Natural de Tracuateua, no Pará, Harrison atualmente mora em Medianeira e seguia viagem com destino ao Chile quando acabou retido pela nevasca.
De acordo com o caminhoneiro, o percurso normalmente levaria cerca de duas semanas. Porém, diante das condições climáticas e da interdição da passagem, a viagem pode se prolongar por muito mais tempo.
“Minha viagem durava, no máximo, duas semanas. Agora pode durar 20 dias, um mês ou até dois meses. A gente está sem previsão. A gente fica emocionado, porque está longe da família. Não é fácil”, desabafou.
Outro caminhoneiro paranaense, Marcos Andrade da Costa, também está retido na região. Ele está há sete dias parado e afirma que permanece em um local com maior estrutura, mas demonstra preocupação com colegas que estão em pontos mais isolados.
“Estou aqui há sete dias com muitos motoristas. Não sabemos quanto tempo vai demorar nem quando vamos voltar. É um desafio, mas aqui tem cidade, mercado e estrutura. Fico preocupado com meus amigos que estão em locais mais isolados, sem banheiro”, relatou.
Enquanto a neve e o gelo continuam dificultando o trânsito de veículos pesados, os caminhoneiros permanecem à espera de uma definição sobre a reabertura da fronteira entre Argentina e Chile.
A situação deixa motoristas, que deveriam estar seguindo seus destinos, presos na estrada, longe das famílias e sem saber quando poderão voltar a viajar.