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Segunda-feira, 15 de Junho 2026
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Notícias/SEGURANÇA PÚBLICA

PRODUTO TÓXICO DERRAMADO EM ACIDENTE PREOCUPA MORADORES E CONTAMINA CÓRREGO EM ENÉAS MARQUES

Chuva rompeu contenção improvisada e levou o fipronil até uma sanga próxima à comunidade de Vista Alegre; uso da água do poço artesiano foi suspenso por precaução.

PRODUTO TÓXICO DERRAMADO EM ACIDENTE PREOCUPA MORADORES E CONTAMINA CÓRREGO EM ENÉAS MARQUES
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Na curva fechada próxima à comunidade de Vista Alegre, em Enéas Marques, ainda há rastros do produto tóxico derramado no acidente ocorrido na madrugada de quinta-feira, 11 de junho.

A chuva dificultou o trabalho das equipes e fez com que o produto, que estava concentrado, se diluísse e chegasse ao córrego no entorno da comunidade. O Instituto Água e Terra (IAT) e a Defesa Civil cobram agilidade das empresas responsáveis para evitar maiores danos ao meio ambiente.

A preocupação agora é reduzir os impactos causados pelo acidente, que ainda estão sendo avaliados pelos órgãos competentes. Na comunidade, a orientação é para não consumir a água do poço artesiano devido ao risco de contaminação. A situação dependerá de laudos técnicos e de análises periódicas para confirmar se a água continua adequada para o consumo humano e animal.

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No local, foi feita uma contenção improvisada para impedir que o fipronil — produto utilizado no controle de pragas em lavouras e que fazia parte da carga do caminhão tombado — escorresse pela estrada e chegasse ao córrego. O tesoureiro de Vista Alegre e responsável pelo poço artesiano, Ivonei Fortunato, acompanhava a situação desde quinta-feira.

"Até então, estava tudo certo, não tinha problema nenhum na contenção, a princípio. Mas, como durante a noite choveu bastante, sexta-feira de manhã cedo eu fui lá olhar e a água estourou a contenção, desceu e veio até a sanga. Como o poço é ao lado, eu já tentei entrar em contato com as autoridades."

No grupo da comunidade, os moradores passaram a demonstrar preocupação com a qualidade da água. Registraram em vídeos o líquido avermelhado descendo em direção ao córrego. "E eu tentando ver a possibilidade de fazer uma análise. A preocupação da gente é grande porque não é só para mim, tem mais de cem usuários da água aqui do sistema. Um fala uma coisa, outro fala outra, e eu optei por desligar o sistema para evitar, na verdade, causar algum dano à saúde da população. Foi por minha conta que resolvi fazer isso."

Caminhando por uma rua próxima ao local do acidente, a reportagem conversou com o aposentado Nilson Menegatti, que já trabalhou na agricultura. Ele fala da importância da água para as pessoas e produtores da região e diz estar preocupado com a situação. Em tom de brincadeira, comenta que "a gente não pode beber essa água de valeta"

Prefeitura de Enéas Marques abastecerá a comunidade

Após desligar o sistema, Ivonei esvaziou o reservatório e entrou em contato com o prefeito de Enéas Marques, Edson Lupatini, que, de acordo com Ivonei, se prontificou a prestar apoio à comunidade de Vista Alegre. "Por enquanto, a informação que temos é que a Prefeitura de Enéas Marques vai abastecer a caixa d’água da comunidade com caminhão-pipa até que haja a confirmação, por meio de laudo, de que a água não tem nenhum resquício do produto", diz o cabo Fernando Savian, do 8º Núcleo de Atuação Regional da Defesa Civil e um dos responsáveis pela operação no local desde quinta-feira.

Savian explica que, apesar de se tratar de uma captação profunda, que pode não ser afetada por uma contaminação ocorrida superficialmente no solo, a suspensão do uso da água é justificada como medida de precaução neste momento.

Mas há outro problema logístico que precisará ser ajustado para fornecer água aos moradores. O local é alto e de difícil acesso, dentro de uma lavoura da região, e os caminhões não chegam com facilidade. É necessário o uso de máquinas para fazer o transporte até o local. Por ora, até que seja feita uma análise que ateste a segurança do poço artesiano, essa será a forma como a comunidade de Vista Alegre deverá obter água potável.

A empresa responsável já foi notificada

De acordo com o cabo Fernando Savian, tanto o IAT quanto a Defesa Civil estão pressionando as empresas responsáveis para que a situação seja resolvida o quanto antes. "Já se passaram várias horas do acidente e, neste momento, a nossa preocupação é com a questão do impacto ambiental. É um impacto que inevitavelmente já aconteceu. Tanto a Ambipar quanto a empresa responsável pelo transporte têm responsabilidade neste momento. A gente precisa resolver isso rapidamente porque tem toda a parte ambiental envolvida. O próprio IAT já está notificando a empresa também para tentar acelerar o processo e evitar uma certa morosidade."

FONTE/CRÉDITOS: Portal Educadora e Jornal de Beltrão
REDAÇÃO

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