Um homem de 36 anos foi preso na zona rural de São Gabriel da Palha, no Noroeste do Espírito Santo, após confessar ao ChatGPT um plano para matar o próprio filho com o objetivo de evitar o pagamento de pensão alimentícia à ex-companheira.
A prisão ocorreu no dia 19 de junho, um dia antes da data em que o crime seria executado, segundo a Polícia Civil do Espírito Santo. O caso foi divulgado oficialmente nesta quinta-feira (25).
De acordo com o delegado adjunto da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), Ícaro Olímpio, o suspeito utilizava a inteligência artificial para relatar seus planos criminosos.
Nas conversas, o homem afirmou que pretendia contratar um pistoleiro para matar o filho, com quem não mantinha contato. Ainda segundo a investigação, ele relatou estar em posse de uma arma de fogo, uma corda e cianeto, substância altamente tóxica.
Além do plano contra o filho, o investigado também teria manifestado a intenção de promover atentados contra escolas, igrejas e autoridades públicas, buscando fazer o maior número possível de vítimas.
Denúncia partiu do FBI
O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil brasileira após uma denúncia encaminhada pelo FBI ao Ministério da Justiça. Segundo as autoridades, as informações foram repassadas pela OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, que forneceu os dados das conversas mantidas pelo suspeito.
Com base nas informações recebidas, a Polícia Civil do Espírito Santo solicitou mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, que foram cumpridos com apoio da Delegacia de Polícia de São Gabriel da Palha.
O suspeito foi preso enquanto saía de casa para trabalhar. Inicialmente, ele negou as acusações, mas os investigadores afirmam que o material encaminhado pelas autoridades norte-americanas foi suficiente para comprovar o planejamento dos crimes e impedir que eles fossem executados.
Investigação continua
O homem foi autuado pelos crimes relacionados às ameaças, tentativa de homicídio e incitação ao crime. Os materiais apreendidos durante a operação foram encaminhados para perícia.
Segundo a Polícia Civil, o indiciamento ainda não foi concluído, pois a investigação segue em andamento e depende da análise dos laudos periciais para a conclusão do inquérito.