Ruas com inclinação acentuada, como a Rua Nossa Senhora das Graças, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, evidenciam um problema recorrente em diversas cidades brasileiras: a falta de planejamento urbano adequado.
Para o engenheiro civil Julio Russi, situações como essa poderiam ser evitadas com projetos mais estruturados. Segundo ele, apesar da complexidade, há soluções viáveis. “Em engenharia, tudo se resolve”, afirma.
De acordo com o especialista, que também é diretor financeiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná, o ideal seria a realização de terraplanagem para reduzir a inclinação da via, além da aplicação de pavimento adequado. Entre as alternativas, ele destaca o uso de concreto ranhurado, que aumenta a aderência dos pneus e melhora a segurança.
A via, existente desde 1953, nunca recebeu pavimentação ou calçadas. Com inclinação próxima a 45 graus — acima do recomendado pela engenharia rodoviária, que indica no máximo 35 graus — o local se tornou praticamente intransitável para veículos.
O problema, segundo Russi, muitas vezes surge com a ocupação irregular de áreas íngremes. Com o crescimento das comunidades, a demanda por infraestrutura passa a ser responsabilidade do poder público.
Mesmo reconhecendo que há solução, o engenheiro alerta para os riscos de medidas paliativas. “Com uma boa terraplanagem e pavimentação adequada, é possível garantir tração para veículos e segurança para pedestres”, explica.
Na prática, a realidade é de dificuldades. Motoristas evitam subir a rua, enquanto moradores e entregadores frequentemente precisam seguir o trajeto a pé. Bruno Domingues, entregador há quatro anos, relata os desafios enfrentados diariamente.
“Como que sobe aquilo ali? Não sobe de jeito nenhum. A gente precisa dar a volta na quadra, aumenta o tempo da entrega e ainda tem que cuidar para não bater. É bem complicado”, conta.
Moradores afirmam que o problema se arrasta há décadas. A porteira Célia Mara critica a falta de atenção do poder público: “A prefeitura arruma só o Centro. Os bairros eles esquecem”.
Após reportagem da RPC, afiliada da TV Globo, a rua recebeu uma camada de pedras. No entanto, segundo relatos, a solução não resolveu o problema e ainda aumentou o risco de quedas e derrapagens.
A prefeitura informou que a via integra um loteamento aprovado em 1953 e que o projeto de pavimentação já está cadastrado junto ao governo estadual, aguardando análise. A previsão é de que o edital para as obras seja aberto entre 90 e 120 dias.
Mesmo sem asfalto, a rua possui sinalização de “pare” no topo, o que gera críticas de moradores. Segundo a prefeitura, a sinalização segue o Código Nacional de Trânsito e é necessária para garantir a segurança no cruzamento.
Enquanto a solução definitiva não sai do papel, quem vive ou precisa passar pelo local segue enfrentando uma rotina marcada por riscos e dificuldades.
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